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terça-feira, 26 de julho de 2011

Encontro inusitado


Muito conservador, sempre ofereci resistência ao extravagante (insegurança que foi quebrada).

Numa noite atípica de inverno, com luzes amarelas em postes corrompidos por propagandas de telesexo, fui parar às cinco da manhã em frente a uma prostituta que estuprou minha ignorância. Compreendi que acima das minhas esfarrapadas conclusões existiam outras verdades que, por hipocrisia do sistema refugava.

A história se repete: depois de vários goles de álcool (nem tenho idéia de quantos), de repente, fui convidado a conhecer uma casa com um néon vermelho na entrada: relax for men. Estava num bordel à bordo de novas descobertas.

Como um homem pode relaxar nessas circunstâncias? Até concordo que após o êxtase o relaxamento será uma consequência. Ainda mais quando se está literalmente inflamável.

Vigiados por todos os lados de seguranças desnecessários, fomos cercados por meretrizes ávidas por comercializar o corpo. Meu amigo, bem familiarizado com a situação, de copo na mão, colocou-se à vontade entre duas moedas de troca: uma negra de lábios acolchoados e a outra espalhafatosa, sem modos e ao seu modo, denunciava suas funções.

Num balcão de madeira, iluminados por luzes avermelhadas, refletidos em espelhos antigos, eu e uma dama de negro iniciamos nosso jogo. Ri desconcertado da sua piada quanto ao meu transporte (infinitamente inferior ao seu). Percebi nítida habilidade com as mãos (impossível não me imaginar ao cuidados de uma gueixa). Seus toques aveludados me derreteriam facilmente numa massagem ou simples bofetada. (que fique claro que não sou adepto de nenhuma forma de sexo anticonvencional).

Compreendemos nossas buscas. Enquanto ela (pragmaticamente) isolara suas ilusões adolescentes, dispensara a imagem futura de dois velhinhos numa poltrona em silêncio frio e Constrangedor. Sem máscaras e vestida despertou a minha libido indomável. Havia um quê de magia naquele caldeirão que fumegava a cada trago no cigarro, a cada cruzada de pernas. Eu, imaturamente refazia meus cálculos e reprogramava meus conceitos. Uma filha justificava sua heresia. O sexo pago não era fruto das fantasias impuras de uma devassa. Sua contravenção ganhava cada vez mais sentido à medida que enxergava o brilho dos seus olhos e a nobreza da maternidade. Percebi que o amor possui outras vertentes que só a coragem pode explicar.

Não houve clima para transa e a minha disposição (convenhamos), cambaleava. Houve apenas um beijo quase de súplica. Metade bêbado, metade melancia. Afastei-me por imposição das horas, mas com os olhos voltados na direção do que havia deixado para trás, do que por imbecilidade desprezara.

                                                               





quinta-feira, 21 de julho de 2011

Texto silencioso


Se questionarem porque escrevo, mostrarei meus dedos lambuzados de tinta, meus rascunhos sufocados entre a inspiração e a fantasia, minha voz inquieta que encontra sossego nas margens fecundas das páginas que carrego embaixo dos dedos.  O súbito das idéias que crescem vêm dos loucos, dos exagerados, dos velhos que se renovam, dos novos que envelhecem e morrem a cada segundos, dos ideais inalcançáveis, dos meus olhos piratas em busca dos tesouros (que talvez estejam à minha espera), ou que, em represália, restrinjam meus limites amadores.

O passado, cansado passou. Resolveu corrigir a seu modo as desavenças do destino. Não são ameaçadoras suas imposições, são óbvios e naturais seus argumentos. As franjas escorridas separam o real e o invisível. Não consigo compreender-me no ato e nem de fato. Os verbos flexionados e conjugados na paciência me aguardam nessa equação. De tal dispersão, com frequência, me perco de vista. O medo que tenho do homem que sou (um sopro) que Deus definiu como um beco sem saída, um mistério além dos seus intrigantes caprichos. Com o tempo aprendi a conviver comigo, a entender as maldades e perseguições que me revestem. Ao dormir, sou presa fácil. Seria demolido como uma marreta no frágil material da minha carcaça. Por sorte, encontramos em nós algum ponto de atração: nos admiramos.

Esse escrever gratuito entra em combate com o silêncio da privacidade. Embaralho frases dialogadas no subterrâneo covarde de todas as fugas. Reconheço que sou imaterial. Salvo as boas intenções, sou impalpável. Escrevo para me afastar do gesto solitário do egoísmo, para me aproximar do ser inextinguível que sou.

Escrevo na frivolidade do acaso, por um fio me arrisco. Assumo o risco.

                                                                      


terça-feira, 19 de julho de 2011

Antigas crendices


Na minha cidade de origem, mantinha-se o hábito de colocar uma vela na mão de quem estava falecendo. Na simbologia dos mais velhos, a vela representava uma espécie de absolvição – Como se a matéria prestes a desencarnar tivesse os pecados perdoados com o ritual da superstição legitimado. Sem esse protocolo, era impossível se alcançar a salvação.

Houve um fato ocorrido há muito tempo, que um rapaz muito popular ao atravessar uma torrencial inundação foi tragado pela fúria de um rio. Com frequência, o pai dele (com a determinação de quem ama)  ainda vasculhava pontos do rio onde supostamente ocorrera o afogamento. Com uma cumbuca – espécie de cabaça, depositava uma vela acesa e devassava o curso das águas. Acreditava-se que onde o recipiente parasse, seria o local exato onde se encontraria o corpo.     

Sempre ouvia comentários sobre maus presságios caso encontrasse um cortejo fúnebre. Certo dia, voltando do colégio, ao virar a esquina, fui surpreendido com uma caravana que entoava cantos tristes e orações fúnebres. Não havia castiçais, coroas de flores nem guarda chuvas protegendo senhoras com seus chapéus cobertos por véus. Ao lado do corpo esquálido, só a dor da perda e os meus arrepios. Evidente que nenhum embasamento científico está determinado nessas superstições, ainda que acredite na sabedoria do que pouco sabemos.

                                                          




sábado, 16 de julho de 2011

Refúgio inviolável

 

Num final de tarde com o sol em declínio, as manchas encarnadas do entardecer resumem os milagres do seu corpo exposto. Com a provável aparição da lua, as estrelas em comboio parecem mais próximas. Em reverência, dispõem-se cúmplices ao meu intervalo (extremamente necessário). Esqueço por um instante do meu tamanho e, num delírio, sou Deus.

No rádio, o silêncio constrangedor é quebrado pela Marisa Monte e pela beleza indescritível do milharal de um verde absurdamente exibicionista. Hectares aos bandos, em sincronia uniforme se dobram com o agito do vento. Pela janela do veículo vejo a paz da noite que se aproxima. A natureza se derrama aos exageros em torrentes impetuosas de ostentações, com a soberba de quem tem consciência da sua superioridade.

E o que falar das memórias?

Peito rasgado pelos teus seios afiados. Nas costas, o dorso talhado pelas tuas unhas musculosas. Os vincos deixados como vestígios da posse é um traço claro da quase perda. Na garganta, as sobras do mel da tua saliva. O teu corpo insaciável, deliciosamente depositado nos desejos lascivos sugeridos nas palavras sussurradas com o hálito quente, silenciadas com a minha boca aprendiz.

O encontro selvagem com uma degenerada na selva. Sob o  jeans delineia-se o volume aparente do tesão retesado da imaginação e da luxúria encoberta pela discrição. Glúteos estrepados pelos filetes das pedras e o sexo esfolado pelas estripulias, arregaçado à exaustão.

Sobrevivi.

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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Em busca dos sapatos


De barriga crescida e estômago escoltado pela fome, rompe desnorteado ao norte, movido por uma força ancestral que ele desconhece. Pouco conhece dos seus antepassados. Seu passado é o presente e está concentrado nos pés descalços, na pele encarquilhada dos seus motores. De passagem na passarela da procura, dribla automóveis de olhos abertos, cruza o fogo cruzado dos grossos calibres, desvenda o mistério escondido nas esquinas, contorna os postes sobrecarregados de fios clandestinos. Entre as chamas que varrem a favela, segue obstinado a pista dos seus sapatos.

Ignora obesas prostitutas, pisoteia ervas que enervam, demonstra apatia às partituras de Mozart e Beethoven - que são ensaiadas por seus colegas de pelada. O único som que interessa são dos seus passos que levantam poeira, que estremecem a base frágil da madeira que equilibra seus pares, que desequilibra a igualdade.

Há os que usam mocassins de crocodilo, sapatos italianos.

E, ainda há (como esse menino) os que correm atrás dos simples sapatos.

(Esse menino existe e Deus há de tê-lo guiado).

                                                             


sábado, 2 de julho de 2011

O som do movimento


Em plateia quase soturna sigo o roteiro de uma bailarina em seus rodopios graciosos, onde mãos delicadas trafegam no ritmo da música que ouço. Numa coreografia secreta, laços e sapatilha entregues à captura dos meus olhos brilhantes e à música imaginária. Seus passos de garça carregam a graça da melodia dos céus. Movimenta-se baixinho na frente do espelho, vestida de vermelho para contestar o rosa. Meias de seda revestem as panturrilhas torneadas e sublimes. Cabelos fixos por uma rede de renda, nas faces covas que dançam junto com seu sorriso de menina. Do corpo de porcelana, como de outros, partem sons que ouvidos sensíveis decifram...

Uma ninfa flutua a pureza dos seus movimentos. Embevecido, me agarro aos acordes da sonata e, em silêncio roubo sem qualquer constrangimento as estrelas do seu palco iluminado.  As parábolas da alma estão todas ali, disfarçadas de virgem. Ao som de um violino envaidecido, faz galhofa da minha fábula.

Em paralelo ao natural, baila de costas. À medida que se afasta, ganha amplitude de espaços e esvoaçam-se os trilhos da lógica. Só não contava com as surpresas situadas ao fundo. Nenhuma precaução, nenhuma cautela com a direção arriscada. Uma única olhadela por cima dos ombros para ganhar noção do terreno evitaria contratempos. Precipícios são possíveis e os tombos prováveis. Todas as bailarinas desistiram ou estão imóveis. Fecharam a caixa de música, apagaram as luzes e adormeceram.

Ainda assim, ouço os ruídos do vento.

                                                            

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Brincando com a hipocrisia


Com frequência, bruscamente sou assustado pela imagem nítida da minha infância, onde lembranças vivas ainda resistem ao tempo por cerca de 30 anos.

Todos os dias meu irmão e eu saíamos em disparada para o colégio. Atrasados, desatávamos o barulho inevitável da nossa pressa saudável nas escadarias do terceiro andar do prédio onde morávamos.

Senhoras recalcadas, hipócritas, falsas moralistas reclamavam das nossas peripécias. O barulho de crianças demoníacas (segundo elas), afrontava suas pressupostas prerrogativas à salvação. A nossa alegria causava-lhes desconforto. Nas noites de domingo, vestidas de longas saias escondendo as pernas brancas, sem graça, improváveis de desejos. Mascaravam-se sob véus escuros, a obscuridade mental das suas maldosas fofocas. Sempre ouvíamos indignados, os gritos desesperados de uma criança sendo castigada.

Esboços paroquiais fajutos, espreitam às janelas a rotina dos simples transeuntes, na busca de elementos que venham  incrementar suas vidas medíocres. Praticam novenas, decoram a bíblia e andam de braços dados com ela, como se possuíssem a fórmula da verdade.

De volta do colégio, atentos a qualquer detalhe que pudessem ser usados como matéria para nossas aventuras, tropeçamos em dezenas de folhas rasgadas de revistas pornográficas. Maliciosamente, entreolhamo-nos e com sorrisos irônicos, em sincronicidade pensamos nas beatas. Escolhemos minuciosamente as poses mais escancaradas e sem o menor constrangimento avançamos nossa molecagem. Em cada porta, depositamos estrategicamente recortes da suruba. Ficamos imaginando as caras atônitas das puritanas. Quem sabe tenham usado as figuras indecentes como inspirações para os seus discursos duvidosos.

Vingados, às gargalhadas seguimos para a próxima traquinagem.

Irmão, você partiu cedo demais. Às vezes me flagro rindo sozinho e olho para o vazio tentando enxergar teu sorriso sarcástico.  Tomara que possa me visitar vez em quando...

                                                                

                                            

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Esmaguei uma esperança



Antes de conseguir traduzir o significado daquele inseto verde, grandes antenas, olhos protuberantes e estranhos, asas inquietas e petulantes (aos meus olhos um alienígena), pisei na sua cabeça e dilacerei suas patas. Interpretar naquele bicho sorte e bons presságios foi naquele momento inconcebível. Meu álibi: Era assustador para uma criança.

Atrevida e inconveniente, em sobrevoo desajeitado pousou inadvertidamente sobre as minhas pernas. Sondado pelo sadismo pouco observado nas crianças, investi contra o estrangeiro e exterminei com a aflição que me causava.

Pezinhos incipientes marcham furiosos sobre o intruso. Ouve-se como um estalar de ossos. Um imaginário esqueleto frágil, desmanchado. Sob o piso marmoreado esparrama-se junto com a vítima, minha culpa e um prazer cruel, egoísta, mórbido (quase compreendo a mente dos assassinos). Por breves segundos senti um estranho poder, um naco de imortalidade. Aquele corpo tênue e franzino dificultava o meu toque descuidado. Crianças gostam do sentir pelo tato. Além dos estímulos visuais precisam do contato físico.  


Irritado pela coordenação descoordenada das mãos, pela impotência de não tê-la caprichosamente na palma da mão, covardemente a abati.    

Ao usar esse texto para representar meu eu incompleto, fico imaginando a infinidade de esperanças que pisoteamos, na vaidade que alimentamos para engordar o ego em queda constante.

Ainda cresço... E, uma vez grande, alcançarei outras alturas.

                                                             



quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ilusão de ótica


Deitada sobre um tapete de grama, à beira de um lago plácido, espicha-se nua uma alma sem pudores. Tremores convulsivos e a febre dos desejos aquecem os sentidos. Enfeita de azul o ocre das sensações. A pele corada adorna meus pensamentos em malícia saliente. Meu corpo, em reação imediata, ergue-se incontrolável. Intrometido, anseia afundar-se nas suas entranhas, mordendo a isca lançada por deboche ao alcance dos fracos e suscetíveis. Indecentes suspiros se eriçam e quase deito com ela para silenciar o tormento que urra. Quase bronzeada, espreguiçando-se, estica suas curvas em arco deixando à mostra ondas atrevidas dos seios morenos. Em transitório instante de felicidade, desfruta da natureza que o astro presunçoso propaga em flashes o seu humor de verão. No encalço de um suposto paraíso clandestino, argumenta com sua beleza divina e ameaça a minha blasfêmia (dentre tantas). 

Move-se sedutora em posições verticais, esgueirando suas formas suaves pelo meu solo arenoso. Despachada no palco que ainda não tenho acesso, dispersa seus sabores e aumenta minha gula em jejum. Terna, brilhante e desinibida oferece a arbitrariedade do seu corpo exposto, do seu rosto calmo e espírito lúcido.  

Aparentemente exaurida, entrega-se à sesta restauradora e comprime a ilusão da eternidade que muitas vezes é confundida com direito adquirido. No desembaraço de um sonho casto, castrado no cansaço, descansa a ousadia nos braços tortos do acaso. Bela e traiçoeira, municiada de encantos, enfeitiça e embaralha minhas feições de insegurança. A minha timidez frente à sua beleza intimida.

Já que não posso penetrar o teu corpo transparente, transpor as tiras da tua superfície fresca, invado o reino das palavras, a fórmula das conjugações, a poesia do teu canto oculto encoberto pelas plumas de uma miragem imaterial. Na mudez sábia e elástica do teu dicionário, reclino as inspirações da poesia do teu corpo desfolhado.

Seria uma miragem?

                                                           

sábado, 28 de maio de 2011

Excentricidades


Carrego uma bala alojada na espinha como amuleto. As vértebras, cravejadas de ironia, às vezes cambaleiam num balé esquisito. Os vasos engalfinhados formam as nervuras do sangue que jorra intrépido e descoagulado. Entre abalos e afagos me divirto.

Os cabelos em corte moicano ou rebelados revelam os tufos desalinhados embaixo de um turbante negro. As madeixas em mechas desaprumadas insistem em esvoaçar sob as carícias e o toque dos teus dedos. Olhos caídos, às vezes murchos, desfigurados. Outras vezes, ambíguos, amplos e misteriosos.  Combinam expressão, sedução e profecias.

As estrias, corredeiras do mal anunciado, cicatrizes inevitáveis das rosas a desabrochar. As pétalas podem sofrer a dor do encanto esvaído. Ainda resiste o caule que continuará brotando e atento ao corpo renovado. As células pulsam e fervem na dança do renascimento.

Nos ombros, transportamos a carga e as fivelas pressionadas pelo destino. As excentricidades em forma de manias, compulsões, caprichos ou obsessões são as digitais originais da identidade. O peso opressivo da memória contrasta com os horizontes da fachada das nossas disparidades excêntricas.     

O coração assustado pelo repique estridente dos alvoroços, navalhado pelos golpes exatos do tempo. Ressoam à volta os açoites retumbantes e escandalosos de uma sirene espalhafatosa. Os baques de um corpo que ameaça cair em destroço são abafados pela maciez da compostura, pelo vento que sopra a brisa do silêncio.

No matagal infestado de incertezas, um comboio de luzes aflitas controla a direção e os sentidos (inclusive os contrários). Marcham absortos os tripulantes em direção ao cais. Lanças pontiagudas e contundentes empatam a travessia. A embarcação de papel estremece na colisão das cores anêmicas do possível naufrágio.

No limiar do castelo de cartas marcadas, uma barricada de troncos, pedras, cimento e uma única sentinela que vela por todos os excêntricos.
                                                                        
                                                                             

     


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Um bar chamado divã



 


Poderia ter ajoelhado e pedido perdão pelos goles exagerados, pelo gosto pronunciado de cana. Confesso a prática delituosa, quando fui  cúmplice na prova de vinhos, caipirinhas, vodkas, amarulas e cervejas. Não quero fazer apologia às madrugadas em transas enfurecidas, usando o subterfúgio da alteração do álcool, para não lembrar com quem dividi a cama e o vapor das gotas etílicas de suor.
Foi apenas um detalhe, que para mim nunca teve importância.

Na mesa redonda masculina, onde se estabelece a convenção do happy hour, além do futebol e seus desdobramentos as mulheres também participam. Lembro às enciumadas, que os verbos “falar” e “comer” estão associados erroneamente apenas aos comentários maldosos e vulgares do sexo oposto. Somos bobos sim, crianças enfastiadas que se valem dos momentos leves do relaxamento para exorcizar demônios graúdos e monstros inofensivos, quando anestesiados. 

Nos templários de uma esquina qualquer, encontro a cumplicidade incompreensível reservada aos botecos. Não os frequento para embebedar os sentidos e perder a razão. Reservo-me a chacoalhar as idéias, rabiscar guardanapos e compartilhar os segredos inconfessáveis dos boêmios e poetas. Nada de grotesco ou absurdo. Apenas uma maneira até cultural de deixar-me leve, admitir-me de uma austeridade desnecessária. Nas mesas dos bares estendo meu divã companheiro, meu analista mais simples e mais eficiente. O encontro abstêmio do mais puro e generoso desabafo que mantinha bloqueado.

O pescoço chupado e as marcas impressas na pele poderiam ter sido desferidas no vagão do metrô, na Empresa, na rua de baixo...

O bar, foi puro e simplesmente um pretexto.



sexta-feira, 20 de maio de 2011

A trilha


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Anos atrás vi um filme Indiano que me deixou marcas.

Simples (como todos os filmes fora do circuito comercial, leiam-se não americanizados). Sem grandes pretensões, inclusive de baixo orçamento.

Na cena de encerramento a câmera era afastada e enquadrava o encontro de dois jovens namorados numa longa vereda de terra batida.

O que despertou as minhas reflexões foi a repetição dos passos, que insistentemente e concomitantemente pisaram naquele terreno para formar aquela longa e sinuosa trilha. Fiquei imaginando a obstinação representada naquela cena, aparentemente sem graça.

Acredito que cada livro, cada filme deve carregar uma mensagem (mesmo nas entrelinhas). As pessoas, indistintamente, são potencialmente diversas. Todas oferecem a multiplicidade, inibindo de vez a unanimidade que no caso específico, pode ser é burra.

Na maioria das vezes restringimos a nossa visão a perspectivas limitadas e óbvias. Impedimos (quase sempre) nossa percepção de enxergar outros ângulos. Essa expansão, chamo de inteligência. Gosto de decifrar subtextos, analisar outros panoramas (que não os meus).

 Eternamente aprendiz.

                                                              

Noturno



Invisível e impreciso um espectro caminha sobre uma passarela transparente. Nos haustos do seu ímpeto, toma goles sôfregos da nostalgia contígua. Acessa galerias noturnas, repassando a passos irregulares o passado. Cruéis e zombeteiras gracejam as saudades, testemunhas idiotas de uma encosta erma e rudimentar. Além da ponte de madeiras artesanais e degraus imperfeitos, reúnem-se os lastros queimados de uma história inacabada. O homem interrompido pelas saudades vive a crise insensata do blackout silencioso dos andarilhos – em busca dos elos perdidos e da alma que ainda esquecida, vive e voa.

Refugiado nas cavernas da amnésia consentida, observa os ponteiros cronológicos de um relógio enlouquecido, furioso, em pressa desatada. Dispersadas às talhadas, as lâminas do crucifixo golpeiam impiedosas a melancolia. Espessas camadas do gelo recobrem um copo de lembranças trincado e, enquanto isso, fervem em altíssima febre a poesia da liberdade.

Eu, que permaneci estacionado nas vielas do desencontro, ainda busco o diálogo preso nas escrituras rebuscadas do dialeto quase sagrado. Talvez o eufemismo contido na solidão seja legítimo e a premissa dos sonhos sobrevivam numa tenda ainda desconhecida. Existi ou fui apenas passageiro? Um símbolo errante ou mensageiro do futuro?  De todo modo, sei que a estrada é longa. E, eu também.

                                                                  

                                                                    

terça-feira, 17 de maio de 2011

Perdôe-me


Para compreendê-lo preciso esquecê-lo, evaporá-lo das mais rudes atividades. Abstrair-me de tal maneira a não colocá-lo como fator opressivo, agressivo ou hostil. Não quero conceber o perdão que paralisa ou evidencia culpas e ressentimentos. Quando falhei, senti a imediata necessidade de expressar as minhas humildes desculpas. Quando me senti ofendido, muitas vezes a remissão aconteceu de forma morna, parcial ou condicionada a outros interesses (incompatível com a absolvição que acredito).

Minhas falhas não têm como serem dissolvidas. Se as cometi – seja por motivos alheios à razão, elas farão parte do curso da minha história. Estarão incrustadas no meu prontuário de forma definitiva. Caberá a mim modificá-las, transformá-las em aprendizado.

Perdoar significa libertar, dar ao outro a oportunidade de melhorar e se redimir. Contrário ao “respaldo” para magoar, ofender ou trair, deve aliviar a tensão do remorso. Pedir perdão é assumir a culpa e se responsabilizar pelos danos. Em detrimento da desculpa que omite, isenta-os dos encargos que acabam desequilibrando as relações.

Não tenho o que perdoar. Nem sinto que o perdão se equilibre à minha volta, buscando espaço para ser aceito. A guilhotina que balança ameaçadora não tem o impulso da minha mão.  Descarto nesse júri o meu voto de punição.

Perdoo os que forçadamente, toleram. Quando toleram, fazem vista grossa, disfarçam, passam por cima, engolem, suportam...

Escolhi perdoar.
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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Poison


Vestido de pardo, cigarro ao meio, viajo em zigue-zague por cabanas de chope, tentáculos de vime que fumegam à passagem de moças sem cerimônia, desfilando seus decotes e fendas. Com seus cabelos ainda molhados em coque ou rabos de cavalo, prontos para serem puxados nas horas desvairadas do sexo faminto. Derrapo na linha sinuosas das cinturas. Enceno a armadilha do cortejo. Pressinto o hálito quente do perigo, mas ardem superiores e afoitos os meus instintos antropofágicos – irracionalmente disparados.

Coleção de braços perdidos, sem os abraços que procuro. Breves e resumidas frustrações, discursos evasivos contornam a silhueta de dois polvos apressados, em busca do amor nunca revelado. A procura fugitiva dos parágrafos mal elaborados.

Mistura de línguas e bocas bisbilhoteiras que vasculham compartimentos esparsos imersos nas arestas camufladas. Destilam além das farpas dos desejos que latejam, pequenos escrúpulos dos beijos reticentes da entrega.  Os lábios, macios e entreabertos, descerram a cortina de pano vagabundo. Nos frisos da nossa arquitetura, as franjas do desperdício.

Nas cinzas de manhã seguinte, as sobras dos gravetos ainda em brasa. Despertam conosco a solidão do amor arredio. O gosto destacado de amargo, a cama resfria à nossa saída, o ar refrigerado oprime e sufoca o suspiro do tédio.

E dessa forma, mais uma noite termina.

                                                                        



quarta-feira, 11 de maio de 2011

Conectado



No novo planeta onde o comando majoritário é a internet, tive que descartar a velha máquina de escrever. Num passado de duas décadas até curso de datilografia incluí no currículo. E como sinto falta do barulho das teclas! Já não uso corretivo, agora com um simples clique deleto, altero, salvo, copio, insiro... Deus quantas opções! Se as minhas idéias travaram, se a navegação está lenta, posso recarregar a página, reiniciar a máquina, ou, em último caso, substituir o software.

Meus antigos rascunhos foram parar na lixeira. Agora todos se reportam ao deus google – detentor de todas as respostas, senhor de todas as conexões (menos as minhas), juiz de todas as causas (exceto as impossíveis). Ainda não chegou à consoante maiúscula. O programa ainda necessita de atualizações.

De assombro um pedófilo assume uma identidade fictícia e entra no MSN. Sob a proteção de um falso perfil, seduz uma criança ingênua e manipulável. Os vírus, cada vez mais sofisticados colocam a divindade sob suspeita. Estelionatários encapuzados com as máscaras da vergonha se utilizam das brechas naturais das criações humanas, violam sistemas, pirateiam informações – geralmente sigilosas. Espionam senhas, corrompem arquivos, invadem sites vulneráveis. Como hackers, colocam nosso alerta em vigia. As rachaduras desse invento revelam a fragilidade dos homens.

Enquanto isso, devassos libidinosos concentram suas frustrações no sexo virtual. Na névoa do anonimato, desferem o acúmulo das suas tímidas evoluções. Escolhem a dedo ou com os dedos, a sua inspiração. Sem a negação ou a recusa, aplicam sua performance “invejável”. Até as emoções são comercializadas. A carência e solidão são prerrogativas para que se aproveitem dessas vulnerabilidades.

Só sei de uma coisa: A nostalgia pela máquina obsoleta só aumenta e o Deus que sigo só possui conexões naturais. Ainda bem que nem tudo está perdido.

                                                         








terça-feira, 3 de maio de 2011

Maromba-RJ


Em 1998 estive lá pela terceira vez. Sempre acompanhado do amigo Klaus e do irmão (que a vida escolheu) Marcos.

Hoje, estamos distantes por uma série de razões: a própria evolução da vida explica o distanciamento. O nosso contato (até mesmo virtual) perdeu o entusiasmo - o que já era previsto.

Temos o mesmo gosto pela aventura e por conhecer novos lugares. Armados de barracas de camping, aportamos por lá. Lembro que era inverno e o frio castigava nossa aventura.

O clima de tão gelado, permitiu que eu e Marcos gelássemos cervejas no fundo de um riacho próximo à nossa pousada.

O encontro com três garotas de São Paulo e arredores, mexeu com nossos hormônios. Tanto que só nos separamos três dias depois ao final da viagem. Lindas e jovens também comungavam dos nossos interesses. Munidas de mochilas, debutavam o prazer da liberdade.
 
Comemos menos do que bebemos e ficou a imagem que não se apaga...

A indelével amizade que permanece.

                                                         








quinta-feira, 28 de abril de 2011

Vendo além...



Circunspecto, tento  não ser refém do passado, perco-me no tempo distante das minhas lembranças, memórias de algodão que embrulham a minha história. Rolos de filmes largados, empilhados, esquecidos no quarto abstrato do meu devaneio.  O elenco é reduzido e os personagens estão vendados. Encontro Capítulos amassados, Cenas picotadas, enterradas além da minha captura. Os muros de aço, as gotas de sangue, o som estridente dos passos é tudo inventado. São olhos exagerados, deslumbrados e imbecilmente culpados.

Ao mirar-me no espelho me assusto com teus gestos, reproduzo a astúcia ambígua dos teus olhos. Subitamente, tento destruir o reflexo do que fui, do que sou... A medusa está à solta gingando os quadris, roçando os seios, afogando meus sussurros e calando minha volúpia com o abraço das suas coxas. A boca insinua e provoca a minha fraqueza. Olhares lascivos cegam os meus. Em libidinosa entrega submeto-me ao pecado que ilusoriamente me salva.

Intensos, doces ou viris, fixos ou oscilantes, enigmáticos ou serenos, sedutores ou ingênuos... Apenas olhares. Simples sentidos que podem explicar a loucura, que podem detonar a cavalgada dos instintos mais primitivos.

Ah, essas lentes curiosas! Desvendam, investigam, sugerem, delatam, capturam, fulminam, declaram e são capazes de fingir que nunca viram. 

                                                                     









            

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ego


No espelho manchado de lembranças o narciso foi roubado. Riscos amarelos e negros turvam a minha viagem. Curioso, quis conferir a linha obtusa do meu precipício. Nas esquinas quase irregulares do percurso, tive medo do que esse espelho indiscreto pudesse revelar. As páginas torturadas do meu script, quase amador. As imperfeições trancafiadas no calabouço do meu silêncio.

Exilado, em órbita solitária busco o sabor do amor que nunca tive, os fiapos da saudade espalmadas no interior da moldura. Encontra-se vazia a minha varanda, nela recruto personagens para a demasia que escorre da minha história. Procuro o refúgio dos abraços e a força do amor que me enlaça em descompasso. Não reclamo dos amores que atravessaram a longa lista de experiências. Discuto apenas as oportunidades que nem me permiti perceber.

Onde ficaram os refletores? Onde se refugiaram meus heróis? Em que águas profundas mergulhou o passado?

Nesse abismo de imagens retorcidas, adormece o vulto dos ídolos soterrados, dos poetas feridos e machucados, no beijo intenso da luxúria em cascata, nos desejos secretos escondidos no véu de retalhos, formando um mosaico do meu retrato. Aos desavisados, não me recomendo. Sofro de inconstâncias irreversíveis. Sou contraindicado.

Pressionado pela ditadura das aparências, vejo o meu rosto transfigurado pela sombra do que imaginei como imagem real. Plagiando a fantasia da paixão de Narciso. Impreciso, impassível me espero. O tempo na sua maturação há de me conceder e me revelar os segredos dessa cova que um dia será poço.

                                                              




quinta-feira, 14 de abril de 2011

Chuva de verão




Numa tarde de verão, estou amparado na minha janela. Gotas de suor evaporam com o bafejo que se dissipa nos meus arredores. Tal uma estrutura de cera, vou derretendo, me desmanchando feito sorvete. E o meu corpo, sertão árido, grita estridente por água.

Sinto um cheiro que me reporta a solo encharcado, grama molhada, velas acesas, pólvora vencida...

Formigas de asas dão o primeiro alerta de tempo instável. A atmosfera sufocada reage e, quase em fúria, rompe os lacres que armazenam a composição da vida. Aos baldes, são descartados o alívio.

Nesse momento de garganta seca, lábios sequiosos, rogam na minha crise, uma chuva de grãos, ao invés das gotas. Em oposição ao liquido, o sólido parece ser mais oportuno. Na verdade fome e sede se confundem.

Pela vidraça, tento tocar os primeiros pingos que escorrem ligeiros e organizados. A língua, vítima da estiagem, molha por fim, as palavras. Meu rosto borrado por marcas de lama e insígnias do tempo são removidas pela chuva, que de braços abertos recebo e abraço.

Sou parte desse lamento. Faço parte desse espetáculo - A natureza expõe sua face despudorada. Deixa-se desnudar sem cálculos e sem medidas. Arranca as vestes fatigadas, revela sua pele branca, imaculada, santa.

Do mormaço que cuspia farpas, sobrou poças fragmentadas, estilhaços de espelho que reproduzem frestas de um sol ainda tímido, acanhado. Do corpo em febre, abrasado, das labaredas que antes lambiam minha estação, restou um cheiro de grama orvalhada, uma alma lavada. 

                              
                                                                      




      

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Na lembrança


Anos atrás, viajava conosco (amigos para sempre), um jovem magro e alto, cabelos revoltos e um apelo estranho com as mulheres. Sim, porque nunca compreendi ao certo que espécie de sedução ele possuía para conquistar todas as mulheres. Nunca consegui enxergar os atributos que o faziam brilhar perante as moças. Mas enfim... Minha visão era outra, e as motivações também. Juntos, repartimos saudáveis e inesquecíveis momentos, geralmente em viagens de aventura.

Tratava-se de um rapaz enigmático, envolvido numa vida torta. Talvez fosse usuário de entorpecentes ou mais, que os comercializasse. Afora este suposto perfil delituoso, nunca o condenamos nem o julgamos. Não nos cabe esta tarefa da sentença (quase sempre cruel para nosso estreito conhecimento). Foram muitos mergulhos impetuosos na busca da alegria. Jovens sonhadores que faziam do sorriso, uma gargalhada.

Nem sei como ele se aproximou, mas devo reconhecer que tinha um coração enorme. Apesar do lado obscuro, nunca nos envolveu nas atividades pouco ortodoxas e nem tampouco nos causou constrangimentos. Exercia um fascínio sem fazer força nas mulheres. Cheguei à conclusão de que moças têm no geral, certa tendência ao amor bandido e mais, por mais  que as pessoas resistam, elas estão fadadas ao destino. Cedo ou tarde, o encontro será inevitável.

O Klaus, Fágner, Marcos e eu jamais fomos expostos a situações duvidosas. Nunca fomos envolvidos em qualquer dessas atividades, supostamente ilícitas. Gostávamos dele pela pureza, pela alegria, pela lealdade, pelo respeito aos nossos escrúpulos. Havia na sua “transgressão” uma ética que nunca consegui esquecer.

Tempos atrás, numa mesa de bar, fiquei sabendo da sua morte. Que pena! Aquele moleque irresponsavelmente brincalhão teria que tomar mais cuidado para viver. É tão estranho falar de cuidado para viver. Melhor acrescentar: pedir a Deus que acompanhe nossas escolhas e nos conceda oportunidades proporcionais ao nosso merecimento.

Sucumbiu a matéria, mas o espírito continua entre nós.

                                                           

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O amor em crise



Desisti de acreditar – ou nunca me fizeram acreditar que o amor valesse a pena. Aprendi que o amor é muito estranho e demanda muitos sacrifícios, muitas renúncias. Prefiro o controle do meu egoísmo. Já acatei a condição de isolamento – não me refiro somente às tristezas. Às vezes também acho graça comigo.

Amar intensamente? Até que ponto devo submeter-me ao que já estava prescrito? A habilidade na manutenção das relações até tenho. A disposição de manter-me íntegro aos apelos do coração é o que me falta. Muitos abominarão o comportamento.Não se pode cobrar fidelidade quando não conseguimos adotá-la (confesso que estou aprendendo a ser exclusivo). Entretanto existe uma ética na minha conduta. Jamais deixarei de ser honesto no que acredito.
 
Recordo-me agora de um caso acorrido há muitos anos atrás, no lugar onde nasci.Uma vizinha bonita, mãe de quatro filhos, comportamento completamente adequado às normas sociais. Surgiram comentários de uma suposta traição no passado que teria resultado no nascimento de um dos seus filhos. Apesar da aparência física desse filho com o suspeito, era prudente não alimentar a chama da desconfiança. Fato é que tempos depois, numa desavença com uma irmã, veio à tona o segredo...

Ela fraquejou (sob circunstâncias que jamais saberemos), cometeu adultério e dessa relação nasceu um filho. 

O marido enfurecido e ferido na sua vaidade de macho, cobrou explicações. Pressionada, desesperada, acuada se enforcou. Deixou apenas um bilhete – que só teve o conteúdo divulgado à polícia.

A irmã delatora do escândalo, tomada de um fumegante peso na consciência, ingeriu uma alta dosagem de remédios e na sua covardia, faleceu. Nem preciso comentar dos falatórios e dos julgamentos hipócritas levantados contra essa mulher, que por um amor insano, arruinou uma família. Ao invés da sentença de todos, me concentrei no equilíbrio dessa senhora para camuflar um amor proibido. O traído reconstruiu um novo casamento e continuou...

O amor me oferece alças para apoio, mas me afasto e o recuso por receio de não saber como dominá-lo.

Ninguém sabe que amor insano foi capaz de levá-la ao extremo do adultério. Óbvio que a fraqueza prevaleceu (até mesmo no enforcamento).

Ainda assim, o que interpretam como covardia, avalio como coragem.